Pelotas... 06/07/2016



"Eu me debruço contra a parede e ponho minha cabeça em minhas mãos. O que eu estava pensando? Indesejada e sem permissão sinto as lágrimas chegarem. Por que eu estou chorando? Eu afundo no chão, brava comigo por esta reação insensata. Apoio-me em meus pensamentos e me fecho ainda mais em mim mesma. Eu desejo voltar ao tempo. Talvez esta ideia absurda possa ficar menor ainda se eu pudesse voltar. Coloco minha cabeça sobre meus joelhos e eu deixo as lágrimas irracionais caírem desenfreadas. Eu estou chorando por algo que nunca tive. Que ridículo. Lamentando por algo que nunca… – minhas esperanças esmigalhadas, meus sonhos despedaçados e minhas expectativas frustradas. Eu nunca fui amada. Certo… eu sempre fui a que amava – mas eu entendi que – correr atrás e fazer qualquer outra coisa ao mesmo tempo, como amar, pedir, gritar não é minha praia. Eu sou uma negação em qualquer campo   romanticamente, no entanto, eu nunca me expus. Uma vida inteira de inseguranças. Eu sou muito franca, muito romântica, muito carente, sem ambição, minha lista longa de culpas continua. Então eu sempre tenho sido aquela que procurava o AMOR."

Pelotas. 20/08/91



                          ... Terça-feira... 20,10 hs.
Puxa como passa o tempo, faz uma semana que não escrevo, mas também tenho trabalhado tanto, ainda bem que o André tem me ajudado. Hoje tive que arrumar um atestado médico, para ele levar para a aeronáutica, porque por causa minha ele não foi para o quartel, senão ele é capaz de pegar cadeia.

Hoje 06/07/2016 se passaram quase 30 anos, revirando minhas gavetas e minhas memorias achei esse diário de uma época em que fui muito feliz, mas tb muita dor e sofrimento, a mim e as pessoas que amava. Com um erro de amor, que cometi,  machuquei muita gente, no qual pago esse preço por esse amor ate hoje. Quero que meus filhos leiam esse diário e vejam que não foi fácil nada que fiz ou passei, que me entendam e me perdoem tb. Hoje vivo só, houve a separação, houve o desamor, sobraram só RECORDAÇOES E NADA MAIS... E mesmo que os dias passem devagar vou levando a vida sem medo e sem pressa, pois o que tiver que ser será, e mesmo que o amanhã seja bom ou ruim eu vou sorrir.

Pelotas. 13/08/91.



                                      .. Terça-feira... 19 hs.
Ontem não escrevi, passei a tarde toda passando roupa, antes desmanchei o assoalho do galpão e separei as madeiras, pois o pedreiro veio começar a obra. Hoje começo o inicio do futuro.